Francesca Tanas acusa Carlo Conti de a 'sexualizar' por causa de jeans em Sanremo: o episódio e a reação das bailarinas
Bailarina diz que Carlo Conti a sexualizou por causa de jeans durante Sanremo; o episódio gerou solidariedade entre profissionais.
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Francesca Tanas acusa Carlo Conti de a 'sexualizar' por causa de jeans em Sanremo: o episódio e a reação das bailarinas
Por Chiara Lombardi — Sanremo, 2 de março de 2026. O festival terminou, mas nem todas as luzes se apagaram: um comentário do apresentador Carlo Conti durante a performance de Samurai Jay reacendeu um debate sobre limites, poder simbólico e a semiótica do espetáculo.
Após a passagem de palco em que o artista foi acompanhado por um grupo de bailarinas, Conti desceu à plateia e dirigiu-se à esposa que estava em primeiro plano, dizendo em tom de brincadeira: “Senti, minha maridinha, já que sei que você gosta de jeans, esse modelo que a senhorita tinha, não compre, tá bom? É pura ciúme!”. O comentário, rindo, foi recebido entre sorrisos na sala, mas não passou sem consequências.
Quem se pronunciou publicamente foi a bailarina apontada como referência do traje: Francesca Tanas. Em um desabafo no Instagram, Tanas afirmou que Carlo Conti a “sexuou” por conta de umas calças usadas em cena. Nas palavras dela: “Ci tengo a puntualizzare che sto tizio di nome Carlo Conti mi ha letteralmente sessualizzata per dei pantaloni da show e, come se non bastasse, ha messo in imbarazzo la moglie palesando e minimizzando la gelosia e l’imposizione nel dirle cosa può indossare e cosa no.” Tradução livre: ela ressaltou que o apresentador a sexualizou por roupas de cena e que, ao mesmo tempo, expôs e diminuiu publicamente o ciúme da esposa, impondo limites sobre o vestuário alheio.
O episódio gerou solidariedade: diversas colegas bailarinas e profissionais de cena manifestaram apoio a Francesca Tanas nas redes sociais, sublinhando como comentários aparentemente leves podem reverberar, constranger terceiros e normalizar uma lógica de controle sobre corpos e roupas.
Como observadora cultural, não vejo aqui apenas um deslize em uma gala televisiva, mas um pequeno espelho do nosso tempo. A cena traduz o roteiro oculto que frequenta programas ao vivo: o anfitrião que se permite a piada às custas do outro, a roupa de palco que vira pretexto para uma leitura sexualizada e a mulher situada entre dois papéis — a artista e a presença íntima sujeita ao comentário público. O jeans, nesse contexto, deixa de ser só figurino para tornar-se marcador simbólico de desejo e posse.
Francesca concluiu esperando que Conti tenha pedido desculpas à esposa e “talvez” que também pedisse desculpas a ela — um pedido simples, mas carregado de significado quando quem comete o gesto ocupa alta visibilidade. O caso reabre perguntas urgentes: até que ponto a leveza do palco justifica a ferida da exposição? E como a cultura do entretenimento pode reavaliar seus scripts diante da sensibilidade contemporânea em torno do respeito corporal?
Data do fato: 2 de março de 2026. O debate permanece aberto, refletindo tanto a natureza performativa das transmissões ao vivo quanto o eco cultural que uma frase pode provocar dentro e fora do Ariston.