Paola Pugliese, esposa de Sal Da Vinci: “Nos conhecemos aos 15; a cura do nosso filho foi um milagre”
Paola Pugliese relembra 40 anos ao lado de Sal Da Vinci, sacrifícios, fé e a recuperação milagrosa do filho após meningite.
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Paola Pugliese, esposa de Sal Da Vinci: “Nos conhecemos aos 15; a cura do nosso filho foi um milagre”
Por Chiara Lombardi — Em um cenário que mais parece o roteiro íntimo de um filme de formação, Paola Pugliese, 58 anos, abre a cortina sobre quatro décadas ao lado de Sal Da Vinci (Salvatore Michael Sorrentino). A emoção pela vitória do marido no Festival de Sanremo reverbera como um refrão que o público precisava ouvir: uma canção que devolve alegria num tempo sombrio.
“Estou extremamente emocionada, ainda não consigo acreditar. É um sonho que se realiza aos poucos e que quero aproveitar até o último acorde”, diz Paola, evocando aquela mistura de alívio e êxtase que acompanha prêmios tardios. Para o casal, a conquista é o ponto alto de anos de persistência: “Depois de dezessete anos de sacrifícios e trabalho constante, este é o reconhecimento. Não quero acordar deste sonho.”
A trajetória de Sal Da Vinci não foi isenta de portas fechadas. Paola relembra as recusas, as desconfianças do mercado e o momento decisivo em que ele se separou do espetáculo familiar para seguir um caminho próprio. “Na época, nas gravadoras do Norte havia desconfiança em relação aos napolitanos; havia estigma. Mas ele nunca deixou de acreditar”, conta ela, em tom que mistura orgulho e memória.
O encontro com Mario Ragni, na editora Ricordi, e a vitória no Festival Italiano com Mike Bongiorno foram peças-chave no quebra-cabeça. “Foram etapas que abriram novas janelas”, lembra Paola. E, embora ela aceite o papel de musa, reafirma que a canção vencedora transcende o casal: “Não é dedicada só a mim. É do povo. O que mais nos tocou foi a explosão de afeto e alegria. É como se as pessoas precisassem libertar um amor que guardavam dentro.”
Sobre o início do romance, Paola desenha a cena com a delicadeza de quem observa a própria vida como um filme em preto e branco que ganha cor: cresceram no mesmo bairro, entre Chiaia e Mergellina. Sal, com quinze anos, foi à festa de aniversário de Paola — ela tinha 16 — e, embora à primeira vista ela o tenha visto como um menino, logo percebeu uma maturidade além da idade. “Ele não viveu uma adolescência comum; trabalhava desde criança. Me conquistou pelo pensamento, pela profundidade. Depois, claro, pelo coração.”
Mas o roteiro também teve momentos sombrios. Ao longo dos anos de independência artística, vieram dificuldades econômicas, e, acima de tudo, provações familiares. O filho Francesco teve meningite aos dezoito meses — “foi um período terrível, mas nos sentimos miraculosamente salvos” — e, logo depois do nascimento, a filha Anna Chiara enfrentou um angioma tubero-cavernoso no rosto. Paola descreve esses episódios como verdadeiros calvários enfrentados com fé: “Deus está sempre presente em nossa vida. Sal reza antes de subir ao palco, de manhã e à noite. Sempre confiamos n’Ele.”
Quarenta anos de união em uma era de separações rápidas: qual o segredo? Para Paola, a fórmula é quase cinematográfica em sua simplicidade dramática: amor, respeito e amizade. “Somos tudo um para o outro: amigos, irmãos, marido e mulher”, afirma. Esse vínculo tem a densidade de um roteiro bem elaborado, onde a convivência se transforma em parceria criativa e resistente.
Ao comentar a recepção do público no Festival, Paola traduz o impacto cultural da vitória: “As pessoas esperavam por essa canção. Num momento obscuro da história, o público precisa de alegria e de bons sentimentos.” A frase ressoa como um eco cultural: a música, enquanto espelho do nosso tempo, oferece alívio e reconexão emocional.
Em última análise, a história de Paola e Sal é um refrão sobre persistência — um enredo em que o talento, a fé e a paciência se encontram no palco iluminado por um aplauso coletivo. Como observadora do zeitgeist, fico interessada no que essa vitória simboliza além da indústria musical: um reframe de esperança, a semiótica do viral transformada em afeto compartilhado. E, para o casal, o filme continua em cartaz.