Sanremo 2026 — As pagelle da terceira noite: Mogol brilha, Irina Shayk revive o papel da 'valletta' (voto 5)

Análise e notas da terceira noite do Sanremo 2026: Mogol se destaca, Irina Shayk volta ao papel da 'valletta' e Renga precisa se renovar.

Sanremo 2026 — As pagelle da terceira noite: Mogol brilha, Irina Shayk revive o papel da 'valletta' (voto 5)

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Sanremo 2026 — As pagelle da terceira noite: Mogol brilha, Irina Shayk revive o papel da 'valletta' (voto 5)

Por Chiara Lombardi — A terceira noite do Sanremo 2026 funcionou como um espelho do festival: parte celebração da canção, parte palco de pequenos descompassos. Nesta terceira noite, dedicada a covers e duetos, houve momentos de genuína emoção, escolhas curiosas de roteiro e intervenções que reavivaram debates antigos sobre função e presença de convidados no palco.

O clima da serata trouxe números que dialogaram com a memória coletiva — alguns com profundidade, outros com uma sensação de déjà-vu. Um dos momentos comentados foi a interpretação de "Hit the Road Jack", que trouxe no mesmo palco Alex Britti e Mario Biondi em companhia de um nome que buscou uma pose mais silenciosa do que ativa. A combinação instrumental e timbres trouxe calor, ainda que, por vezes, o espetáculo tenha soado mais como um interlúdio do que como um acontecimento transformador.

Aqui vão as pagelle dos protagonistas que se destacaram (ou destoaram) na noite:

  • Mogol — voto 8
    Figura liminar da canção italiana, Mogol foi um dos pontos altos da noite. Sua presença não foi apenas simbólica: é a prova de como certos nomes carregam um arquivo cultural e continuam a influenciar a narrativa musical. Foi um momento que refratou o festival como um roteiro de memória coletiva.
  • Sayf — voto 7
    Apresentou uma performance segura, com personalidade. Mostrou como uma canção pode funcionar como espelho do tempo presente, sem artifícios desnecessários. A forma como conduziu o dueto sugeriu maturidade interpretativa.
  • Renga — voto 5,5
    Há talento, mas ainda parece não ter saído da palude de escolhas previsíveis. A performance teve lampejos, mas faltou um reframe que o colocasse em diálogo real com a modernidade do festival.
  • Gazzoli — voto 5
    Soou como quem tenta fazer o jovem, mas a tentativa permaneceu na superfície. A sensação foi de papel interpretado e não vivido; um pouco deslocado no cenário de reinvenção que a noite pedia.
  • Irina Shayk — voto 5
    Sempre elegante, porém nesta terceira noite voltou a uma função que nos lembra as antigas "vallette mute": presença plástica, pouca voz autoral. É uma escolha estética que remete a épocas em que o papel feminino no palco era ornamental — e o festival precisa repensar se quer continuar nesse espelho do passado.

Mais do que atribuir notas, a leitura cultural que proponho é prestar atenção ao roteiro oculto do que foi apresentado: o Sanremo 2026 segue sendo um laboratório de identidade nacional, mas também um palco onde se viu com clareza a tensão entre tradição e a urgência de renovar formas de performance e de presença.

Alguns acertos foram técnicos — arranjos que honraram originais e trouxeram nuances — enquanto outros momentos pareceram buscar segurança em estereótipos. A presença de nomes consagrados (como Mogol) funciona como ancora, mas nem sempre impede que o resto do elenco pareça à deriva.

Para quem observa o festival como eu observo o cinema e as artes — com uma curiosidade sofisticada sobre o que cada cena diz do nosso tempo —, a terceira noite foi uma sequência de quadros: alguns belos, outros apologéticos, todos reveladores. Sanremo continua a ser esse espelho do nosso tempo, com suas ondas e falhas, e a pergunta que fica é: qual será o próximo take — uma reinvenção do rito ou mais do mesmo?

Chiara Lombardi é analista cultural da Espresso Italia. Ela acompanha o Sanremo como quem lê um roteiro coletivo: atento às entrelinhas.