Classe Média Italiana Enfrenta Empobrecimento e Endividamento, Revela Censis 2025
Relatório Censis 2025: queda patrimonial da classe média, concentração de riqueza e alerta sobre o crescimento da dívida pública.
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Classe Média Italiana Enfrenta Empobrecimento e Endividamento, Revela Censis 2025
Censis 2025 traça um retrato rigoroso da Itália: uma nação envelhecida, com a classe média em forte processo de empobrecimento, perda de confiança nas forças políticas e dissolução do “sonho coletivo”. O 59º relatório do instituto devolve à realidade um país que gasta menos com cultura — salvo quando se trata de experiências para publicar na internet — e que mantém uma dependência crescente do mundo digital, embora exista também um desejo latente de desconexão.
Em uma janela de 15 anos, a riqueza das famílias italianas caiu 8,5%. Ao mesmo tempo, a concentração patrimonial aumentou de forma acentuada: 48% da riqueza nacional está nas mãos de apenas 1,3 milhão de famílias. No início de 2025, 60% da riqueza do país pertencia a 2,6 milhões de famílias situadas no décimo decil.
Os números mostram que quem mais perdeu foi a classe média. Dividindo as famílias por decis de riqueza, o relatório registra que o 50% das famílias mais pobres teve redução patrimonial de 23,2%; as famílias entre o sexto e o oitavo decil viram seu patrimônio cair entre 35,3% e 24,3%; no nono decil a diminuição foi de 17,1%; e apenas 10% das famílias mais ricas observaram aumento da riqueza, na ordem de 5,9%.
A base da pirâmide também encolheu: a participação de 13 milhões de famílias situadas na base passou de 8,7% em 2011 para 7,3% em 2025. Esses movimentos acentuam a desigualdade e revelam deslocamentos significativos na distribuição de ativos entre diferentes faixas da população.
O relatório aborda ainda o tema do endividamento público, lançando um alerta claro. Entre 2001 e 2024, a dívida pública agregada dos países do G7 subiu de 75,1% para 124,0% do PIB. No mesmo período, a Itália foi de 108,5% para 134,9%; a França subiu de 59,3% para 113,1%; o Reino Unido de 35,0% para 101,2%; e os Estados Unidos de 53,5% para 122,3%.
Segundo o Censis, a trajetória indica que, em 2030, a relação dívida/PIB do G7 poderá ultrapassar 137%, retornando a níveis próximos ao pico de 2020, quando se aproximou de 140% por efeito da pandemia. O instituto alerta para a possibilidade de um choque nas finanças públicas comparável ao vivido durante a emergência sanitária, com a diferença de que o endividamento recorde será acumulado em condições ordinarizadas, sem o gatilho de uma pandemia.
O clima de insegurança afeta percepções sobre serviços públicos e riscos ambientais. O relatório registra que 78,5% dos italianos receiam não poder contar com serviços sanitários e assistenciais adequados caso se tornem não autossuficientes. Quanto aos riscos climáticos e catástrofes naturais, 72,3% consideram que os auxílios financeiros estatais seriam insuficientes.
Essa desconfiança traduz-se também em disposição para autoproteger-se: 54,7% dos entrevistados declaram estar dispostos a destinar até 70 euros mensais para proteção contra o risco de não autosuficiência, danos ligados ao mudança climática ou outros eventos adversos.
O conjunto de dados do 59º Censis revela um país que convive com erosão patrimonial, concentração de riqueza e vulnerabilidades públicas crescentes — um cenário que exige respostas políticas e institucionais precisas, segundo o próprio instituto. A realidade traduzida neste relatório impõe um raio-x do cotidiano italiano: envelhecimento demográfico, fragilidade econômica e uma sociedade cada vez mais digitalizada, mas também ansiosa por garantias básicas.