Sofia Goggia é sexta em treino na Olympia delle Tofane; «Piede sinistro» e o momento quase sagrado da tocha em Milano-Cortina

Goggia terminou sexta no segundo treino em Cortina, com dor no pé esquerdo; braciere de Milano-Cortina foi chamado de momento quase sagrado.

Sofia Goggia é sexta em treino na Olympia delle Tofane; «Piede sinistro» e o momento quase sagrado da tocha em Milano-Cortina

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Sofia Goggia é sexta em treino na Olympia delle Tofane; «Piede sinistro» e o momento quase sagrado da tocha em Milano-Cortina

Por Otávio Marchesini, Espresso Italia.

Em Cortina d'Ampezzo, sobre a pista Olympia delle Tofane condicionada por bancos de neblina e um pouco de neve, Sofia Goggia terminou em sexto lugar a segunda prova cronometrada antes da discesa olímpica decisiva. A sessão, marcada por visibilidade comprometida na parte inicial do traçado, teve largada de 46 atletas e foi declarada encerrada quando apenas 21 chegaram ao final.

Goggia completou o percurso assumindo riscos e salvando um par de erros com acrobacias que impediram quedas, mas não sem custo: ela mesma admitiu dificuldade no piede sinistro, que a acompanha pelo segundo dia consecutivo. «Hoje fiz 80% do que queria em pista, mas há aquele 20% para ajustar porque amanhã precisa estar perfeito», afirmou a italiana, acrescentando que perdeu 83 centésimos já na partida após um erro que a obrigou a um gesto volante para se manter em pé. Mesmo assim, a esquiadora negou sentir pressão externa. «A pressão a sente quem já acertou tudo e está em primeiro — eu ainda não acertei tudo», disse com a sobriedade que tem caracterizado sua carreira.

O contexto competitivo também apresentou performances fortes de outras nações: a americana que figura entre as primeiras no protótipo de competição posicionou-se provisoriamente em terceiro na sessão de hoje, provocando comentários sobre recuperação física e ritmo de prova. «Ai posteri l'ardua sentenza», replicou Goggia, lembrando com ironia e lucidez que a avaliação final cabe ao tempo e ao resultado de amanhã.

No lado masculino, o dia reservou um pódio nacional em outro setor: o bergamasco de adoção Mattia Casse obteve o 11º lugar em uma prova que consagrou as primeiras medalhas italianas nesta Olimpíada — prata para Giovanni Franzoni e bronze para Dominik Paris. São resultados que falam tanto da profundidade do esqui italiano quanto da tradição regional que alimenta talentos e expectativas.

Além das provas de velocidade, a noite reservará atenção ao patinação artística: Sara Conti e Niccolò Macii retornam ao gelo para o programa livre de pares, prova que compõe o team event. Graças ao terceiro lugar no programa curto — praticamente perfeito e amplamente aplaudido pelo público —, a Itália defenderá a posição provisória de bronze, com as medalhas a serem definidas por volta das 22h30 na Ice Skating Arena de Milão.

Fora das elipses competitivas, a cerimônia de acendimento do braciere em Milano-Cortina foi descrita por muitos como um instante de rara intensidade simbólica. Momentos assim são, nas palavras repetidas pelos presentes, «magici, quasi sacri» — lembranças que transcendem cronômetros e pódios e que enraízam a Olimpíada no território e na memória coletiva.

Do ponto de vista técnico e humano, o quadro é claro: Goggia chega à corrida decisiva com potencial e incertezas. A ferida no piede sinistro é um dado; a experiência e a capacidade de reagir são outro. Amanhã, quando as medalhas forem disputadas, se verá até que ponto a história pessoal da atleta se alinhará com a história maior que este evento tenta contar — sobre tradição, resiliência e o esporte como reflexão social.

O encontro com a pista acontece às 11h30 — horário em que se concentrarão expectativas, táticas e, inevitavelmente, a narrativa que os resultados querem consagrar.