Board of Peace em Washington: EUA exigem desarmamento total do Hamas; Itália confirma presença como observadora

Trump pede desmilitarização total do Hamas; Board of Peace anuncia US$5 bi para Gaza. Itália confirma participação como observadora.

Board of Peace em Washington: EUA exigem desarmamento total do Hamas; Itália confirma presença como observadora

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Board of Peace em Washington: EUA exigem desarmamento total do Hamas; Itália confirma presença como observadora

Donald Trump voltou a clamar pelo desarmamento do movimento Hamas, exigindo que o grupo cumpra um compromisso de "desmilitarização completa e imediata". A declaração, publicada em sua plataforma Truth Social, foi feita à margem do que Trump denomina Board of Peace, órgão que ele apresenta como com potencial para se tornar um dos mais relevantes na arquitetura internacional contemporânea.

O presidente norte-americano anunciou que, na quinta-feira, 19 de fevereiro, os membros do Board of Peace se reunirão em Washington, quando será tornada pública a contribuição de mais de 5 bilhões de dólares destinados a esforços humanitários e de reconstrução em Gaza. Na mesma nota, Trump qualificou o organismo como dotado de um "potencial ilimitado" e com um objetivo que, segundo ele, extrapola a própria Faixa de Gaza: a busca pela paz global.

Em Jerusalém, o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu reiterou que o desmantelamento do Hamas implica a renúncia total a armamentos, incluindo as armas leves como fuzis de assalto, bem como a destruição de túneis e instalações de produção de armas na Faixa de Gaza. Netanyahu rejeitou a ideia de uma desmilitarização parcial, defendendo que as armas leves são as que mais provocam vítimas.

Contrapondo-se a essa linha, reportagens do New York Times apontam para uma proposta preliminar vinculada ao Board of Peace, elaborada pela administração Trump, que poderia tolerar, inicialmente, que o Hamas mantenha parte de armamentos leves, desde que entregue sistemas capazes de atingir o território israelense. Trata‑se de um esboço que revela o tenso equilíbrio entre segurança, pragmatismo e legitimidade política que marca a iniciativa.

A Itália confirmou presença à reunião de Washington como país observador, embora o nível de representação ainda deva ser definido. A primeira‑ministra Giorgia Meloni permanece avaliando a possibilidade de deslocar‑se pessoalmente aos Estados Unidos; alternativa cogitada é delegar a representação a seu vice‑primeiro‑ministro e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani. Segundo fontes governamentais, Meloni considera a participação como observadora uma solução de compromisso, compatível com limites constitucionais que impedem uma adesão plena ao organismo criado por Trump.

Em declaração no final de sua visita a Adis Abeba, Meloni frisou que a presença italiana — e europeia — no fórum é necessária, dada a atuação histórica de Roma no Mediterrâneo e no Oriente Médio para tentar estabilizar "uma situação muito complexa e frágil". "Penso que responderemos positivamente ao convite para participar como país observador; a qual nível ainda temos que decidir", afirmou a primeira‑ministra.

Enquanto isso, as oposições italianas têm sido críticas à participação em um organismo de iniciativa unilateral estadunidense e criado por um ex‑presidente, questionando a compatibilidade com os compromissos constitucionais e a coerência da política externa nacional. Amanhã, Antonio Tajani deverá prestar esclarecimentos em plenário sobre o conteúdo do convite e a posição italiana.

Do ponto de vista estratégico, o movimento de Washington e a resposta de aliados e adversários desenham um novo lance no tabuleiro geopolítico: a tentativa de estruturar um mecanismo de governança e financiamento que combine segurança, reconstrução e um redesenho (ainda que discreto) de esferas de influência na região. As doações anunciadas podem abrir caminhos para reconstrução, mas também impõem condicionantes políticos e de segurança que exigirão uma arquitetura de verificação e garantias — alicerces frágeis que demandarão diplomacia paciente e coordenação multilaterais.

Como analista, vejo duas vetas que cruzam este movimento: a primeira, operacional e imediata — como garantir que os fundos cheguem, sob quais condições, e como se verifica a entrega de armamentos; a segunda, mais ampla — em que medida o Board of Peace se consolidará como um ator legítimo e duradouro, ou permanecerá como uma peça simbólica no tabuleiro. Entre essas camadas, a atuação europeia e italiana será decisiva para conferir legitimidade e equilíbrio a uma iniciativa nascida fora dos alicerces tradicionais da diplomacia multilateral.