Irã convoca embaixadora italiana após anúncio de Tajani sobre os Guardas Revolucionários
Teerã convocou Paola Amadei após Tajani anunciar proposta de incluir os Guardas Revolucionários na lista de organizações terroristas da UE.
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Irã convoca embaixadora italiana após anúncio de Tajani sobre os Guardas Revolucionários
Por Marco Severini — Em um movimento que desenha mais um lance tenso no tabuleiro diplomático do Oriente Médio, o Irã convocou hoje a embaixadora da Itália em Teerã, Paola Amadei, ao Ministério das Relações Exteriores iraniano. A medida foi tomada na esteira da declaração do ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, que anunciou a intenção de propor à União Europeia a inclusão dos Guardas Revolucionários — também conhecidos como Pasdaran ou IRGC — na lista de organizações consideradas terroristas.
Segundo reportou o Teheran Times e confirmaram fontes da Farnesina, a convocação foi conduzida por Ali Reza Yousefi, diretor‑geral para a Europa Ocidental no Ministério iraniano. Yousefi qualificou as declarações de Tajani como "irresponsáveis" e advertiu que os Guardiões da Revolução são parte integrante das forças armadas oficiais da República Islâmica do Irã; qualquer sanção, argumentou Teerã, terá "consequências danosas". A nota iraniana apelou para que a Itália "reavalie seu comportamento aventureiro".
As palavras do ministro italiano vieram durante um Question Time no Senado, onde Antonio Tajani defendeu que Roma apoia "um novo pacote de sanções incisivas e eficazes" contra os Pasdaran, responsabilizados pela repressão às manifestações internas no Irã. Tajani afirmou que o governo italiano está avaliando a possibilidade de incluir os Guardas Revolucionários na lista de organizações terroristas da União Europeia, lembrando que esse grupo atua como uma milícia com papel central na repressão interna e em ações de desestabilização regional.
Em tom firme, o chefe da diplomacia italiana declarou: "Estamos ao lado dos que lutam pacificamente por liberdade e democracia, que pagam com um altíssimo preço em sangue, prisões e tortura. A repressão brutal do regime de Teerã é absolutamente inaceitável. As detenções arbitrárias, o uso da força contra manifestantes e as restrições à liberdade de expressão e informação devem cessar imediatamente." Tajani também recordou que, na semana anterior, Roma havia convocado o embaixador iraniano para reafirmar formalmente sua condenação à repressão.
O episódio tem reverberado além dos corredores europeus. O governo israelense saudou a postura de Roma: o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Sa'ar, expressou seu apreço pela posição de Tajani e pediu à União Europeia que assuma a "decisão necessária e moral" de designar os Guardas Revolucionários como organização terrorista.
Ao analisar este desdobrar diplomático com olhos de estrategista, é inevitável ver um duplo movimento: por um lado, Roma tenta consolidar uma frente ocidental de pressão sobre Teerã, articulando sanções e isolamento; por outro, Teerã busca sinalizar que essa cartografia de responsabilidades externas terá custo político e possivelmente reciprocidade em termos diplomáticos. É um redesenho de fronteiras invisíveis, em que cada declaração é um lance que modifica as alianças e os equilíbrios — os alicerces frágeis da diplomacia tornam‑se, assim, o campo de batalha para influências futuras.
Enquanto a diplomacia formal se exerce entre convocações e notas oficiais, permanece o núcleo humano da questão: protestos, prisões e denúncias de tortura que impulsionam respostas externas. A próxima jogada — seja uma proposta formal à UE, seja uma retaliação de Teerã — definirá o ritmo das próximas semanas e testará a resistência do eixo de influência que se forma em torno desta crise.