Embolia pulmonar na cirurgia estética: como reduzir riscos, orienta Skerdi Faria

Skerdi Faria explica riscos e medidas para prevenir embolia pulmonar em cirurgia estética: avaliação, profilaxia mecânica e farmacológica, e cuidados pós-alta.

Embolia pulmonar na cirurgia estética: como reduzir riscos, orienta Skerdi Faria

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Embolia pulmonar na cirurgia estética: como reduzir riscos, orienta Skerdi Faria

Por Alessandro Vittorio Romano

Ao pensar em beleza e transformação, esquecemos às vezes que o corpo tem o seu próprio ritmo — uma respiração sutil que pede respeito. Entre os riscos associados à cirurgia estética, a embolia pulmonar é uma complicação séria, rara, porém imprevisível. Conversamos com o anestesista-rianimador Skerdi Faria, doutor em Infecções Hospitalares e fundador da KEIT Day Hospital, para entender com clareza como diminuir esse risco sem retirar a esperança de quem busca harmonia.

Faria explica que a embolia pulmonar surge quando um coágulo, formado geralmente nas veias profundas das pernas, migra para o leito pulmonar, obstruindo artérias e comprometendo a função respiratória e cardiovascular. "É uma complicação temida porque pode evoluir de forma rápida e imprevisível", diz ele, lembrando que a prática cirúrgica contemporânea se apoia em protocolos rigorosos de avaliação e profilaxia.

Os grandes bancos de dados internacionais confirmam que os eventos de tromboembolismo venoso em cirurgia estética são estatisticamente raros, mas não inexistentes. Segundo Faria, a incidência geral situa-se em torno de 0,09%. Em procedimentos combinados o índice sobe para cerca de 0,20%, enquanto em operações isoladas fica perto de 0,04%. Intervenções em rosto e mama tendem a apresentar taxas mais baixas; já procedimentos que envolvem o corpo e combinações cirúrgicas elevam levemente o risco.

Esses números lembram que risco "baixo" nunca é sinônimo de "zero". A avaliação individual é fundamental: índice de massa corporal (IMC) elevado, idade avançada, tabagismo, uso de contraceptivos ou terapias hormonais, história familiar de trombose, duração prolongada da cirurgia e imobilização pós-operatória são fatores que amplificam a probabilidade de eventos tromboembólicos.

Prevenção é, portanto, colheita de hábitos e organização: os protocolos incluem avaliação pré-operatória detalhada, suspensão de medicações quando indicado, incentivo à cessação do tabagismo, planejamento para reduzir o tempo de sala e preferir procedimentos fracionados quando o risco é alto. No intraoperatório, medidas mecânicas como meias de compressão e compressão pneumática intermitente, além de hidratação adequada e técnicas anestésicas cuidadosas, ajudam a proteger o leito venoso.

Em pacientes com risco aumentado, a profilaxia farmacológica com heparina de baixo peso molecular é usada conforme protocolos e com avaliação do equilíbrio risco/benefício. Importante: a janela de vulnerabilidade não termina com a alta. Estudos e diretrizes indicam que uma parte significativa dos eventos pode ocorrer no pós-alta, por isso a monitorização, orientações claras sobre mobilização precoce e sinais de alerta, e um plano de retorno ou contato rápido com a equipe são cruciais.

Faria ressalta também a importância da escolha do centro e da equipe: credenciais, experiência em procedimentos combinados e rotinas de segurança fazem a diferença. "Uma seleção criteriosa do paciente e protocolos bem aplicados são as melhores salvaguardas", afirma.

Como observador atento da vida cotidiana, gosto de pensar que cada cirurgia é como uma intervenção na paisagem: exige preparação do solo, respeito às estações do corpo e cuidados após a colheita. Ao optar por uma intervenção estética, peça sempre uma avaliação franca e completa, procure centros com protocolos claros e leve consigo a certeza de que prevenção é o gesto mais sofisticado para cuidar da própria beleza e saúde.