Com terapias eficazes, é hora de revisar prioridades no cuidado às pessoas que vivem com HIV, diz Bonfanti

Bonfanti pede integração entre especialistas para cuidar de comorbidades em pessoas que vivem com HIV. Prioridades devem ser revistas.

Com terapias eficazes, é hora de revisar prioridades no cuidado às pessoas que vivem com HIV, diz Bonfanti

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Com terapias eficazes, é hora de revisar prioridades no cuidado às pessoas que vivem com HIV, diz Bonfanti

Por Alessandro Vittorio Romano — Em um panorama onde as terapias eficazes mudaram o rumo clínico do HIV, a conversa precisa avançar além do vírus: é tempo de repensar as prioridades de cuidado para as pessoas que vivem com HIV. Foi essa a mensagem que o infectologista Paolo Bonfanti, diretor de Doenças Infecciosas do IRCCS San Gerardo de Monza e professor de Doenças Infecciosas da Universidade Milano‑Bicocca, trouxe ao debate durante o congresso Hiv Lab - Lombardia, realizado em Milão.

Bonfanti lembrou que, atualmente, as intervenções antirretrovirais transformaram o HIV em uma condição crônica controlável para a maioria das pessoas. Com esse alívio clínico, emergem outras frentes que pedem atenção: o envelhecimento da população vivendo com HIV e o crescimento de comorbidades — entre as quais se destacam os tumores e as doenças cardiovasculares. Essas questões não são meramente médicas; afetam a organização dos serviços de saúde e a experiência do cuidado.

Na fala, Bonfanti enfatizou a necessidade de construir percursos assistenciais integrados dentro dos hospitais e do sistema regional. "É importante que nos percursos hospitalares sejam pensadas formas de integração com outros especialistas para gerir as comorbidades", disse ele, ressaltando que a colaboração entre infeciologistas, cardiologistas, oncologistas e demais profissionais é a chave para uma assistência que acompanhe a pessoa como um todo.

O congresso, promovido pela Região Lombardia com a colaboração de Summet, Crems e Health Strategy, e com contribuição não condicionante de ViiV Healthcare, teve foco na prevenção e gestão do HIV. Esse encontro funciona como uma espécie de estação de escuta: onde profissionais e gestores revisitam práticas, trocam experiências e ajustam rotas para acompanhar a mudança do quadro epidemiológico.

Como observador dos ritmos da vida e das estações, vejo essa transição clínica como um outono que pede nova poda: não para restringir, mas para abrir caminho ao crescimento saudável. Se o tratamento antirretroviral é a raiz que sustenta a vida, a integração assistencial e a atenção às comorbidades são os ramos que precisam ser nutridos para que a pessoa floresça em bem‑estar ao longo dos anos.

Do ponto de vista prático, rever prioridades significa também redesenhar agendas hospitalares, criar vias rápidas de encaminhamento para exames cardiovasculares e oncologia, e integrar planos de saúde mental e reabilitação. Significa, ainda, escutar o paciente — entender seu tempo, suas preocupações e suas metas de vida — e alinhar o cuidado clínico a esse horizonte.

Em suma, com as ferramentas terapêuticas atuais, o desafio não é apenas a supressão viral, mas construir um cuidado que acompanhe o ciclo vital das pessoas que vivem com HIV, atento às suas novas demandas e capaz de promover saúde integral.