Guias do Monte Etna entram em greve contra novas restrições às visitas ao vulcão
Guias do Monte Etna protestam contra regras que limitam visitas, distâncias e horários; conflito entre segurança e profissão na Sicília.
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Guias do Monte Etna entram em greve contra novas restrições às visitas ao vulcão
Por Erica Santini — Ciao, viajante! A luz áspera da Sicília ilumina mais uma cena de discórdia e paixão nas encostas do eterno Monte Etna. Nesta semana, os guias locais que conduzem caminhantes pelo vulcão mais ativo da Europa declararam greve — um gesto raro, o primeiro em décadas — em protesto contra novas e mais rígidas restrições impostas pelas autoridades locais após um ciclo recente de erupções.
As regras recentes, anunciadas pelas autoridades de Catania por motivos de segurança, determinam limites mais severos: as excursões para observar os fluxos de lava podem ocorrer apenas até o pôr do sol, visitantes não podem aproximar-se a menos de 200 metros da corrente de lava, e o já existente limite de 10 pessoas por grupo passou a ser fiscalizado com ainda mais rigor — inclusive com o uso de drones. Além disso, a polícia florestal passou a atuar nas encostas para fazer cumprir as medidas.
Na quarta-feira, dezenas de guias credenciados reuniram-se em frente ao portão de acesso aos fluxos de lava, exprimindo frustração: alegam que as novas ordens “praticamente anulam o papel dos guias, retirando-lhes competências, função e responsabilidade profissional”. A direção regional dos guias criticou publicamente as medidas, defendendo não só a segurança dos visitantes como também a preservação da profissão e do conhecimento local, fruto de anos de experiência nas trilhas do Etna.
Segundo a imprensa local, 21 pessoas foram notificadas às autoridades por descumprimento das novas regras. Os guias dizem que os fluxos de lava observados nas últimas semanas foram geralmente lentos, previsíveis e, quando acompanhados por profissionais, seguros — uma visão partilhada por muitos caminhantes e por alguns especialistas.
Claudia Mancini, turista de 32 anos, veio de Palermo para participar de uma excursão guiada e contou: “Infelizmente, recebemos a má notícia do cancelamento de todas as atividades”. Ela disse sentir solidariedade pelos guias, numa situação que “não deixa ninguém satisfeito”.
As medidas foram tomadas após o Etna iniciar um novo ciclo de erupções na véspera de Natal. As autoridades informaram que a frente de lava mais avançada atingiu cerca de 1.360 metros de altitude e percorreu aproximadamente três quilómetros antes de entrar em fase de arrefecimento. Vulcanólogos do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) afirmam que o fluxo não representou perigo direto para áreas residenciais próximas nem para caminhantes acompanhados por guias.
O vulcanólogo Boris Behncke, do INGV de Catania, escreveu em redes sociais que, comparadas às últimas erupções do Etna, esta foi “inofensiva, agradável e pouco perigosa”. Em tom crítico, Behncke questionou as decisões administrativas: “Não sei o que passou pela cabeça de quem achou útil emitir estas ordens, numa área que precisa muito mais de intervenções para prestar um serviço à comunidade e a este ambiente que nos acolhe e alimenta.”
Os guias anunciaram que manterão a paralisação nos próximos dias enquanto tentam negociar um compromisso com as autoridades que preserve a segurança dos visitantes e, ao mesmo tempo, reconheça e respeite o papel profissional dos condutores locais. É um duelo delicado entre proteção civil e conservação de saberes locais, entre o dever de segurança e o desejo de permitir que o público continue a saborear a história e a beleza crua do Etna — sob a luz dourada do pôr do sol, quando o espetáculo da lava desenha paisagens de outro mundo.
Andiamo com cautela: enquanto as negociações acontecem, o convite é para observar, de longe e com respeito, este gigante que tanto dá à Sicília — e que pede, em troca, prudência.