Olimpíadas 2026: Ouro histórico para Braathen no gigante; Vinatzer cai, Franzoni em 11º; D'Antonio sofre ruptura do ligamento

Resumo e análise das provas de Milão‑Cortina: ouro surpreendente de Braathen, queda de Vinatzer, Franzoni 11º e ruptura do cruzado para Giada D'Antonio.

Olimpíadas 2026: Ouro histórico para Braathen no gigante; Vinatzer cai, Franzoni em 11º; D'Antonio sofre ruptura do ligamento

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Olimpíadas 2026: Ouro histórico para Braathen no gigante; Vinatzer cai, Franzoni em 11º; D'Antonio sofre ruptura do ligamento

Olimpíadas 2026 em Milão‑Cortina atravessaram um dia de contrastes: houve festa, desastre e preocupação médica. No gigante masculino, um resultado inesperado marcou a sessão — descrito pelas crônicas como ouro histórico — enquanto os italianos viveram a alternância entre esperança e frustração. Paralelamente, a equipe feminina de esqui de fundo alcançou um sólido sexto lugar na staffetta femminile e o clima em Anterselva atrapalhou provas de biatlo com neve miúda e vento.

O destaque principal veio do gigante masculino: no que foi apresentado como o primeiro ouro olímpico invernal da história do Brasil, Lucas Pinheiro Braathen fechou a disputa no topo do pódio com 2'25"00. No pódio, foram também premiados o suíço Marco Odermatt (2'25"58) com a prata e Loïc Meillard (2'26"17) com o bronze. A lista oficial de chegada mostra nomes consagrados e surpresas, numa prova que misturou técnica, risco e uma pista punidora.

Resultados principais do gigante (top):

  • Lucas Pinheiro Braathen (Bra) — 2'25"00 (OURO)
  • Marco Odermatt (Sui) — 2'25"58 (+0"58) (PRATA)
  • Loïc Meillard (Sui) — 2'26"17 (+1"17) (BRONZE)
  • Thomas Tumler (Sui) — 2'26"45 (+1"45)
  • Atle Lie McGrath (Nor) — 2'26"82 (+1"82)

Para a Itália, a prova teve sabor amargo. Tommaso Vinatzer, que ensaiava uma remontada impressionante (com vantagem de 0,59 no primeiro intermedio), perdeu o controle ao inclinar demais numa curva à direita e caiu, abortando qualquer chance de medalha. Giovanni Franzoni foi o melhor colocado dos azzurri na pista, terminando em 11º lugar com 2'29"13 (+1"85), uma resposta sólida mas que fica aquém das ambições de chegada ao pódio.

Classificação complementar (selecionada):

  1. Marco Schwarz (Aut) — 2'27"28
  2. Joan Verdu (And) — 2'27"29 (+0"01)
  3. Alexander Schmid (Ger) — 2'27"48 (+0"20)
  4. Filip Zubcic (Cro) — 2'27"50 (+0"22)
  5. Luca Aerni (Svi) — 2'28"19 (+0"91)
  6. Raphael Haaser (Aut) — 2'28"21 (+0"93)
  7. Christian Borgnaes (Dan) — 2'28"35 (+1"07)
  8. Andreas Zampa (Svk) — 2'28"44 (+1"16)

No esqui de fundo, a staffetta femminile italiana alcançou a 6ª posição, num resultado que traduz disciplina coletiva mais do que brilho individual: Noruega venceu com 1h15'44"8 (equipa composta por Kristin Austgulen Fosnaes, Astrid Oeyre Slind, Karoline Simpson‑Larsen e Heidi Weng); Suécia e Finlândia completaram o pódio.

Outros capítulos do dia combinaram tensões e lesões. No short track houve confrontos e episódios envolvendo Arianna Fontana e Pietro Sighel, que mantiveram o gelo em efervescência. Pior notícia para o esqui italiano: Giada D'Antonio sofreu a confirmação médica de ruptura do ligamento cruzado anterior (rottura del crociato), uma lesão que interrompe temporada e reabilitação e muda projetos de longo prazo.

Além do resultado esportivo, as leituras que valem são institucionais e culturais: vitórias inesperadas relembram a globalização do esporte de inverno; quedas e lesões expõem a tensão entre risco e espetáculo; e o desempenho coletivo italiano no esqui de fundo é um termômetro da formação e continuidade do sistema nacional. Em um contexto onde estádios e pistas são também espaços de investimento simbólico, cada medalha e cada lesão reescrevem narrativas pessoais e coletivas.

Nos próximos blocos do dia, atenção para as provas de velocidade (incluindo os 5.000 metros de patinação de velocidade) e para as decisões em pistas técnicas, onde pequenas diferenças decidem histórias maiores.

Otávio Marchesini — Espresso Italia. Cobertura analítica das Olimpíadas de Inverno 2026 em Milão‑Cortina.